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Rodrigo gosta das 16:30 às 17:30 em Fortaleza e acredita no Karma como força da natureza.

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[quinta-feira, 29 de novembro de 2007]

Grandes momentos da literatura cearense, parte II: A lagoa sangrando

"Na manhã de domingo, depois de uma noite de chuva, o sul surgira desnublando o tempo. Quase todos se balançavam nas redes da varanda quando o irmão mais velho chegou pedalando a bicicleta numa velocidade de mensageiro de grande notícia.
Mal parou a bicicleta, foi gritando afobado: a lagoa de Matosinhos tá sangrando! A lagoa tá sangrando!
A menina, que brincava de pedrinhas com com caroços de mucunã e estava naquele momento juntando as mãos para aparar todas no chuveirinho, mobilizou-se assim que ouviu notícia tão aterradora. Olhou o pai, os irmãos e não viu susto em seus gestos. O pai fechou o livro que lia, deixando, como sempre, o lápis entre as páginas, e levantando-se: ótimo, então mudem de roupa, peguem as toalhas e vamos para lá.
A menina não sabia o que a assustava mais, se a notícia alarmante do sangramento da lagoa ou a se a calma e até a alegria com que o pai e os irmãos encaravam o fato.
Acompanhou-os, expectante. Ao chegar perto da lagoa, viu as águas transbordando sobre o barranco, parecendo uma cachoeira valente. Vasculhou com os olhos toda a superfície da lagoa e não viu as manchas de sangue que imaginara. Nem nas margens. Só água, muita água.
Sentiu-se decepcionada. Quis pedir alguma explicação, mas, rememorando tudo, concluiu que precisava entender melhor o que as pessoas diziam. Havia algum mistério no jeito de as pessoas falarem, mas intuiu que era melhor fingir que entendera também."

- Angela Gutiérrez


Por Rodrigo Fernandes às [14:42]

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